quinta-feira, 31 de março de 2011

47º aniversário do golpe militar


No Evangelho de São João diz: “queiram a verdade, porque a verdade vos tornará livres”
Será que seremos livres só daqui 53 anos, quando os arquivos da anistia total e restrita forem abertos? Nem estarei viva até lá, pior, os famíliares e as pessoas que sofreram diretamente a repressão também não estarão, ninguém vive 180 anos! Bom, pelo menos eu não conheço ninguem com essa idade a não ser o Nino do castelo rá tim bum que tem 300 anos! Ah me esqueci ele é fictício, assim como dizer que a impunidade no nosso país não existe também é ficção.


Autora da ação de revisão da Lei 6.683, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pede revisão desta lei 17 de agosto de 1979, a Lei da Anistia.

O pedido foi caracterizado como improcedente. Diferente do que o mesmo tribunal decidiu em relação à Lei de Imprensa, de 1967; à liberação das pesquisas com células-troncos e à delimitação da reserva indígena Raposa Terra do Sol. Claro conquistas da civilização e da modernidade do século 21, mas e a Anistia restrita, até quando? 'É direito das famílias dos desaparecidos conhecerem o destino de seus entes queridos.'


Por essas e outras concordo plenamente com Gramsci: aos revolucionários só interessa a verdade, nada mais do que a verdade.


Existe uma Campanha pela Memória e pela Verdade, desenvolvida pela OAB/RJ, em defesa da abertura dos arquivos da repressão política no período da ditadura militar, participe:



'Um país que não conhece sua História está fadado a repetir os erros.'

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Memória Virtual




Nossa, parece que tinham teias e teias de aranha aqui, meu ultimo post foi em 2008, cujo nome do blog 100crepúsculo, faz a mera menção de não existir mais fim de tarde, sem rompimento do dia, sem a sombra - sem a claridade = 100crepúsculo.
Quando lançou o filme Crepúsculo, quase não consegui localizar meu blog digitava 100crepusculo no google e o resultado eram só vampiros!

Nesta Semana percebi a importância dessas redes sociais
virtuais, pensava que a troca de informações com outras pessoas era a real finalidade. Pode ate ser, mas por ter perdido um arquivo de fotos de alguns anos atrás, foi navegando pela internet vi meu esquecido fotolog e lá estavam minhas lembranças.

Mesmo que ninguém veja o que você posta, é interessante para si mesmo, ver a mudança do seu pensamento, ou até mesmo o que você agregou a ele. Que venha 2011 e agora postarei mais para que assim minhas mémorias e coisas que julgo importantes ou não, fiquem na 'minha' memória virtual.
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Imagem: Magritte - La Memoria

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A POBREZA DO HOMEM COMO RESULTADO DA RIQUEZA DA TERRA

Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta.

Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçou suas funções.

Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os.
São muito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem os vendedores; e no final das contas, como declarou em julho de 1968 Covey T. Oliver, coordenador da Aliança para o Progresso, "falar de preços justos, atualmente, é um conceito medieval. Estamos em plena época da livre comercialização..." Quanto mais liberdade de outorga aos negócios, mais cárceres se torna necessário construir para aqueles que sofrem com negócios.
Nossos sistemas de inquisidores e carrascos não só funcionam para o mercado externo dominante; proporcionam também caudalosos mananciais de lucros que fluem dos empréstimos e inversões estrangeiras nos mercados internos dominados. "ouve-se falar de concessões feitas pelos Estados Unidos ao capital de outros países... É que nós não fazemos concessões", advertia, lá por 1913, o presidente norte-americano Woodrow Wilson. Ele estava certo: " E tinha razão. Na caminhada, até perdemos o direito de chamarmos-nos americanos ainda que os haitianos e os cubanos já aparecessem na História como povos novos, um século antes de os peregrinos do Myflower se estabelecerem nas costas de Plymouth. Agora, a América é, para o mundo, nada mais do que os Estados Unidos: nós habitamos, no máximo, numa sub-América, numa América de segunda classe, de nebulosa identificação. (...)

Tudo nos é proibido, a não ser cruzarmos os braços? A pobreza não está escrita nos astros;
o suddesenvolvimento não é fruto de um obscuro desígnio de Deus.
As classes dominantes põem as barbas de molho, e ao mesmo tempo anunciam o inferno para todos.
De certo modo, a direita tem razão quando se identifica com a tranqüilidade e a ordem em última análise; a tranqüilidade de que a injustiça continue sendo injusta e a fome faminta. Se o futuro se transforma numa caixa de surpresas, o conservador grita, com toda razão: "Trairam-me" . E os ideólogos de impotência, os escravos, que olham a si mesmos com os olhos do dono, não demoram a escutar seus clamores. A águia de bronze do Maine, derrubada no dia da vitória da revolução cubana, jaz agora abandonada, com as asas quebradas sob o portal do bairro velho de La Habana. A partir de Cuba, outros países iniciaram, por vias distintas e com meios distintos, a experiência de mudança: a perpetuação da ordem atual das coisas é a perpetuação do crime. Recuperar os bens que sempre foram usurpados, equivale a recuperar o destino.


Informações do livro As Veias Abertas da América Latina (Eduardo Galeano)

domingo, 25 de maio de 2008

Farc:Terrorista ou Lutador?!

"...A morte do líder máximo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Pedro Antonio Marín, mais conhecido como "Manuel Marulanda Vélez" ou "Tirofijo", representa o mais duro revés para a organização guerrilheira, que perde a seu emblemático líder e fundador, mas não o definitivo, segundo analistas políticos colombianos.

Pedro Antonio Marín deu vida a um movimento guerrilheiro composto por camponeses, mas degenerou em um grupo que seqüestrava e, pior ainda, tinha no narcotráfico uma fonte de financiamento...."

Ainda não engoli essa história de terrorismo, qualificados como terroristas por sequestros e tráficos ou pela luta de não enquadrar-se aos ideais dos EUA e União Européia.
Que autoridade pode ter o regime colombiano, os ianques e os europeus de definir quem é terrorista e quem não é?
Lembrando que "Muralanda" tem suas origens militantes nas profundas desigualdades que vive o povo colombiano.